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20.01.2026 04:30 PM
O preço do ouro registrou um máximo histórico

Hoje, o ouro atingiu um recorde histórico, enquanto a prata caiu de seu pico histórico, à medida que a tentativa do presidente Donald Trump de tomar a Groenlândia intensificou as preocupações com uma possível guerra comercial entre os EUA e a Europa.

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Investidores, assustados com a perspectiva de um novo confronto, buscam proteção em ativos tradicionais de refúgio, como o ouro, enquanto relegam a volatilidade da prata a segundo plano. A escalada das tensões em torno da Groenlândia, apesar de sua distância geográfica, desencadeou uma reação em cadeia nos mercados globais. Acordos comerciais que pareciam sólidos até ontem agora passam a ser cercados de incertezas. Líderes europeus, indignados com a retórica e as ações agressivas da administração americana, avaliam possíveis contramedidas, incluindo novas tarifas e restrições às importações de produtos dos EUA.

O Ministério das Relações Exteriores da França afirmou que a União Europeia poderia responder às tarifas dos Estados Unidos relacionadas à Groenlândia restringindo o acesso de empresas americanas a contratos públicos nos países do bloco. Há inclusive especulações de que a Europa possa iniciar a venda de ativos americanos em retaliação ao novo conflito, o que poderia provocar um colapso do dólar. Vale lembrar que a Europa detém atualmente cerca de US$ 8 trilhões em ações e títulos dos EUA.

Nesse contexto, o ouro torna-se um ativo cada vez mais atrativo. Sua capacidade de preservar valor em períodos de crise e instabilidade consolida-o como um refúgio confiável para o capital que busca proteção contra a inflação e as oscilações cambiais. Embora o cenário permaneça incerto, a demanda por ouro tende a continuar elevada, sustentando seus preços em níveis recordes. Nesta terça-feira, o preço à vista do metal subiu para US$ 4.694,35 por onça, enquanto os mercados aguardam a reação da Europa à ameaça de Trump de impor tarifas a oito países europeus que se opõem aos seus planos para a Groenlândia. A prata, por sua vez, chegou mais cedo a uma máxima histórica de US$ 94,7295 por onça, antes de recuar.

As ameaças dos Estados Unidos contra seus aliados da OTAN abalaram os mercados, impulsionando a demanda por ativos defensivos e reavivando a negociação de ações sob o lema "vender os EUA". O presidente francês, Emmanuel Macron, pretende acionar o instrumento anti-coerção da UE, embora o chanceler alemão, Friedrich Merz, tenha declarado que tenta convencer Macron a adotar uma resposta mais moderada.

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A crise que eclodiu imediatamente após a captura do líder da Venezuela pelos Estados Unidos deu novo impulso à já forte valorização dos metais preciosos. Os ataques renovados da administração americana ao Federal Reserve também contribuíram para a alta do ouro e da prata neste ano, ao reacender preocupações sobre a independência do banco central.

Do ponto de vista técnico, os compradores de ouro precisam romper a resistência mais próxima em US$ 4.708. Um movimento acima desse nível abriria caminho para o alvo de US$ 4.771, acima do qual um rompimento se tornaria particularmente desafiador. O alvo mais distante está na região de US$ 4.835. Em caso de correção, os vendedores tentarão assumir o controle em US$ 4.647. Se essa faixa for perdida, o golpe sobre as posições dos touros seria significativo, podendo empurrar o ouro até a mínima de US$ 4.591, com possibilidade de extensão da queda até US$ 4.531.

Miroslaw Bawulski,
Analytical expert of InstaTrade
© 2007-2026

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