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Tudo flui, tudo muda. Nos últimos três anos, os investidores tendiam a enxergar o "copo da IA" meio cheio, concentrando-se em identificar os vencedores da adoção das novas tecnologias. Em 2026, porém, a percepção se inverteu: o copo passou a ser visto como meio vazio. Agora, o mercado promove uma busca ativa por perdedores. Se na segunda-feira foram os corretores de seguros, na terça os assessores de patrimônio, na quarta os intermediários imobiliários, na quinta-feira o movimento tornou-se generalizado — praticamente tudo passou a ser vendido. Nem mesmo o anteriormente resiliente Russell 2000 escapou da pressão vendedora. O S&P 500 registrou, assim, seu pior desempenho diário desde novembro.
Dinâmica do índice de ações dos EUA
Há cerca de um ano, o episódio DeepSeek derrubou os preços das ações nos EUA. Agora, a alegação da OpenAI de que um rival chinês está usando métodos complexos e muitas vezes injustos para extrair resultados dos principais modelos de IA americanos tornou-se o gatilho para a venda generalizada do S&P 500. Mesmo o Índice Dow Jones de Transporte, que vinha superando todos os outros, não resistiu.
Seu desempenho superior em relação ao S&P 500 nas últimas seis semanas está em níveis recordes. O índice de transporte é extremamente sensível ao estado da economia dos EUA, uma vez que movimenta mercadorias tanto dentro dos Estados Unidos quanto fora do país.
Diferencial de desempenho entre o Índice Dow Jones Transportation Average e o Índice S&P 500
Assim, antes da liquidação de 12 de fevereiro, o mercado ainda tinha vencedores — representantes da economia tradicional —, mas eles acabaram empurrados para o precipício em meio a um pânico generalizado. Os investidores agem primeiro e fazem perguntas depois. O nervosismo decorre das possíveis consequências da implementação da inteligência artificial, tanto positivas quanto negativas. No momento, porém, a atenção do mercado está claramente voltada para os processos destrutivos.
Setores tradicionais e sensíveis ao ciclo econômico vêm sendo vendidos com base em notícias negativas pontuais. Um exemplo disso foi a divulgação das vendas de imóveis usados mais fracas em 16 meses, que se tornou um catalisador para as quedas do Dow Jones e do Russell 2000. Esse movimento ocorreu apesar da queda nos rendimentos dos Treasuries e do aumento das probabilidades de um corte da taxa básica de juros em junho, fatores que, em condições normais, tenderiam a sustentar os ativos de risco.
Os líderes de ontem são os que mais sofrem agora. As Sete Magníficas ainda não conseguiram se recuperar da recente liquidação, e as ações da Apple despencaram 5% — o dobro da queda registrada pelo Nasdaq Composite. O movimento de saída da gigante de tecnologia foi motivado por uma carta da Comissão Federal de Comércio (FTC), que sugere que um novo projeto da empresa pode violar a legislação vigente. Além disso, um relatório interno da Bloomberg indica que uma atualização da assistente virtual Siri pode ser adiada, ampliando as preocupações dos investidores.
Do ponto de vista técnico, podemos observar a formação de um padrão de reversão Double Top no gráfico diário do S&P 500. A perda do valor justo em 6.940 abriu espaço para a entrada de posições vendidas. Um rompimento abaixo do nível de suporte em 6.820 reforçaria o viés de baixa e justificaria o aumento dessas posições. Os alvos técnicos situam-se em 6.725 e 6.615.