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18.02.2026 04:16 PM
O ouro volta à marca dos US$ 4.900

O preço do ouro voltou a superar US$ 4.900 por onça, à medida que compradores que aproveitaram a recente correção retornaram de forma ativa ao mercado após dois dias consecutivos de queda.

O metal avançou 1,3% em um ambiente de baixa liquidez, já que a maioria dos mercados asiáticos permaneceu fechada em razão das celebrações do Ano Novo Lunar. Nas duas sessões anteriores, em meio ao fortalecimento do dólar americano, o ouro acumulou perdas superiores a 3%.

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No final de janeiro, os preços do ouro atingiram uma máxima histórica, superando US$ 5.595 por onça. No entanto, após um pico de compras especulativas, o mercado entrou em território de sobreaquecimento e sofreu um forte ajuste, recuando para próximo de US$ 4.400 ao longo de apenas duas sessões de negociação. Embora o metal tenha recuperado quase metade dessas perdas, o ambiente de negociação segue instável após o colapso recente.

Diversas instituições financeiras de primeira linha, incluindo BNP Paribas, Deutsche Bank e Goldman Sachs Group, convergem na avaliação de que há uma probabilidade elevada de retomada de um movimento de alta sustentável nos preços do ouro. Segundo analistas, os fatores fundamentais que anteriormente sustentaram a valorização consistente do metal precioso não desapareceram e continuam a exercer influência relevante, criando um pano de fundo favorável a novos avanços.

Entre esses fatores estruturais, destaca-se em primeiro lugar o aumento das tensões geopolíticas. Um cenário internacional instável, marcado por conflitos armados, crises políticas e disputas comerciais, historicamente estimula a procura por ativos de refúgio — categoria na qual o ouro ocupa posição central. Sua capacidade de preservar valor real em contextos de incerteza reforça o papel do metal como instrumento eficaz de diversificação de portfólio.

Além disso, observa-se uma tendência de afastamento de títulos públicos tradicionais e de moedas nacionais como mecanismos confiáveis de preservação de capital. Esse movimento está associado à inflação persistente, à instabilidade das políticas fiscais em diversas economias e a uma erosão gradual da confiança nos instrumentos financeiros clássicos. Nesse contexto, o ouro surge como alternativa, oferecendo dinâmicas percebidas como mais previsíveis e menor exposição a riscos sistêmicos.

As preocupações em torno da independência do Federal Reserve também desempenham papel relevante. Qualquer questionamento sobre a capacidade do banco central americano de conduzir uma política monetária autônoma, especialmente diante de pressões políticas, tende a minar a confiança no dólar e em outros ativos denominados na moeda dos EUA.

Nesta quarta-feira, o mercado aguarda a divulgação das atas da mais recente reunião do Federal Reserve, que pode influenciar, ainda que marginalmente, a dinâmica dos metais preciosos. Investidores também acompanharão atentamente declarações de dirigentes do Fed em busca de sinais adicionais sobre a condução da política monetária americana. Uma inclinação mais clara em direção a cortes de juros seria, em princípio, um fator favorável para os metais preciosos, que não oferecem rendimento.

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Quanto ao panorama técnico atual do ouro, os compradores precisam superar a resistência mais próxima, em US$ 4.975. Isso lhes permitiria atingir US$ 5.051, acima do qual seria bastante difícil romper. O alvo mais distante estaria em torno de US$ 5137. Em caso de queda no preço do ouro, os vendedores tentarão assumir o controle de US$ 4893. Se forem bem-sucedidos, uma quebra dessa faixa representaria um duro golpe para as posições dos compradores e empurraria o ouro para uma baixa de US$ 4835, com a perspectiva de uma queda para US$ 4771.

Miroslaw Bawulski,
Analytical expert of InstaTrade
© 2007-2026

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