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Os preços do petróleo caíram acentuadamente após surgirem relatos online de que o presidente dos EUA, Donald Trump, disse a seus assessores estar preparado para encerrar as operações militares no Irã, mesmo que o estratégico Estreito de Ormuz permanecesse em grande parte fechado. O preço do West Texas Intermediate (WTI) recuou e aproximou-se de US$ 103 por barril, após ter avançado quase 4% anteriormente, na sequência de mais um ataque iraniano a um petroleiro no Golfo Pérsico.
A queda nos preços do petróleo, que provavelmente não será duradoura, pode ter efeitos mistos. Para países importadores, trata-se de uma boa notícia, pois contribui para a redução da inflação e o estímulo ao crescimento econômico. Por outro lado, para economias fortemente dependentes das exportações de petróleo, esse cenário é desfavorável.
A declaração de Donald Trump, mesmo que tenha como objetivo desescalar o conflito — algo que parece pouco provável —, pode ser interpretada por Teerã como um sinal para reforçar ainda mais sua posição e intensificar ações provocatórias. Isso, por sua vez, pode gerar novos picos de tensão na região e consequências imprevisíveis para a segurança energética global.
Quaisquer novos incidentes ou uma escalada adicional podem rapidamente levar os preços do petróleo de volta às máximas anteriores, anulando a queda recente e mergulhando novamente a economia global em um cenário de incerteza.
Segundo relatos que citam autoridades da administração, Trump e seus assessores avaliam que uma operação para reabrir o Estreito de Ormuz prolongaria o conflito além das quatro a seis semanas inicialmente previstas. Isso ocorre após indicações anteriores de que, no início da semana, o Brent era negociado em torno de US$ 113.
Vale notar que o presidente norte-americano tem oscilado frequentemente entre declarações sobre um fim iminente da guerra e alertas sobre a possibilidade de intensificar as operações militares. Na segunda-feira, Trump afirmou que os EUA poderiam destruir centrais elétricas, instalações petrolíferas e possivelmente infraestruturas de dessalinização caso o Irã não reabrisse o Estreito de Ormuz. Mais tarde, no entanto, fez declarações em sentido oposto.
Em resposta, o Irã atacou um petroleiro kuwaitiano totalmente carregado, ancorado no porto de Dubai, dando continuidade ao conflito que já dura cinco semanas. Segundo comunicado da Kuwait National Petroleum Company, o petroleiro "Al-Salmi", carregado com petróleo bruto, foi atingido, resultando em incêndio e danos no casco.
Apesar da queda dos preços do petróleo na terça-feira, o índice de referência americano acumulou alta superior a 50% em março, registrando o maior avanço desde maio de 2020, enquanto o Brent também apresenta forte valorização no mês. O mercado segue sob pressão devido ao aumento da presença militar dos EUA na região e à possibilidade de envio de forças terrestres ao Irã.
Em relação ao cenário técnico atual do petróleo, os compradores precisam superar a resistência mais próxima em US$ 106,83. Isso permitirá buscar o nível de US$ 113,36, acima do qual será bastante difícil avançar. O alvo mais distante está em US$ 115,40.
Em caso de queda do petróleo, os vendedores tentarão assumir o controle na região de US$ 100,40. Se tiverem sucesso, o rompimento dessa faixa representará um golpe significativo nas posições de compras e poderá levar o petróleo a uma mínima de US$ 92,54, com possibilidade de atingir US$ 86,67.