empty
 
 
26.05.2026 03:34 PM
O petróleo desacelera com uma queda em meio a novos ataques nos EUA

O petróleo se recuperou ligeiramente após a queda de ontem. O Brent voltou a ficar acima dos US$ 98 por barril, enquanto o WTI está próximo dos US$ 92. O catalisador desse movimento foram os novos ataques militares dos EUA contra lançadores de mísseis e embarcações no Estreito de Ormuz — o mercado interpretou essas ações como um sinal de escalada contínua e recuperou parte do prêmio geopolítico que havia sido perdido na segunda-feira.

This image is no longer relevant

As negociações continuam; no entanto, os prazos voltaram a ser adiados. Rubio, falando em Nova Deli, afirmou que levará "mais alguns dias" para finalizar a redação do acordo. As linhas gerais de um eventual pacto mantêm-se: extensão do cessar-fogo por cerca de dois meses, levantamento do bloqueio pelos EUA e reabertura do Estreito por parte do Irã. O ponto mais polêmico continua a ser a exigência de Teerã de regulamentar a navegação marítima por essa via estrategicamente importante — algo absolutamente inaceitável para Washington, para os países árabes e para a Europa. Há também incerteza sobre o que acontecerá a seguir com o urânio enriquecido do Irã e sobre a trajetória do seu programa nuclear.

Convém lembrar que o mercado já ouviu promessas de avanços várias vezes antes, sem que nada se materializasse. Os recentes ataques dos EUA indicam claramente que é prematuro falar em acordo de paz, quanto mais em sua implementação. Ambas as partes alegaram repetidamente ter conseguido progressos nas negociações ou a reabertura do estreito nos últimos meses — e, a cada vez, nada ocorreu. Acresce outro fator complicador: Israel anunciou uma intensificação dos ataques contra o Hezbollah no Líbano, enquanto Teerã insiste que a cessação das hostilidades ali é condição prévia para qualquer acordo com os EUA. Isso amplia significativamente o escopo das negociações.

Entretanto, o déficit de oferta está aumentando. Segundo a AIE, as reservas energéticas globais estão diminuindo em ritmo recorde — tanto os estoques comerciais quanto as reservas estratégicas nos EUA estão se esgotando em velocidade sem precedentes. Isso significa que, mesmo que acordos sejam alcançados, a normalização física das entregas levará tempo e os preços não cairão instantaneamente.

Para os bancos centrais, a situação continua igualmente extremamente desconfortável. Isabel Schnabel, membro do Conselho Executivo do Banco Central Europeu, afirmou ontem que o banco central terá de elevar as taxas de juros no próximo mês, mesmo no caso de uma resolução rápida do conflito — o choque inflacionário já ocorreu, e seus efeitos não podem ser neutralizados por um único documento diplomático.

This image is no longer relevant

No que diz respeito ao quadro técnico atual do petróleo, os compradores precisam superar a resistência mais próxima, em US$ 92,50. Isso permitirá visar US$ 100,40, nível acima do qual será bastante difícil romper. O alvo mais distante será US$ 106,80. Em caso de queda do petróleo, os vendedores tentarão assumir o controle em US$ 86,50. Se forem bem-sucedidos, uma quebra da faixa representará um golpe significativo para as posições de alta e poderá empurrar o petróleo para uma mínima de US$ 81,40, com a perspectiva de atingir US$ 74,85.

Miroslaw Bawulski,
Analytical expert of InstaTrade
© 2007-2026

Recommended Stories

Não pode falar agora?
Faça sua pergunta no chat.