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Os mercados cambiais e acionários estão reagindo com fortes quedas, à medida que o Oriente Médio volta a ocupar o centro das tensões globais. No 965º (nongentésimo sexagésimo quinto) dia da chamada "Guerra da Espada de Ferro", Estados Unidos e Irã encontram-se à beira de um ponto crítico, divididos entre a possibilidade de um acordo histórico e o risco de retomada de hostilidades em larga escala.
O secretário de Estado Marco Rubio afirmou, em 27 de maio, que Washington daria às negociações "uma chance de sucesso" — e os mercados reagiram imediatamente: os preços do petróleo caíram mais de 5%. Paralelamente, porém, Trump traçou uma linha vermelha: "O Estreito de Ormuz estará aberto a todos. São águas internacionais — ninguém irá controlá-las." Trata-se de uma resposta direta à principal exigência de Teerã: cobrar taxas de trânsito e manter controlo operacional sobre essa rota estratégica.
A dimensão da crise é reveladora: atualmente, apenas cerca de 10% do tráfego marítimo do período pré-guerra continua a passar pelo Estreito de Ormuz. Os petroleiros praticamente interromperam as operações. Segundo as estimativas mais recentes, as perdas acumuladas de produção deverão ultrapassar 1 bilhão de barris até o final de maio. Por isso, qualquer vazamento de informação sobre as negociações — seja um sinal otimista ou um indício de fracasso — provoca imediatamente fortes oscilações nos mercados de commodities.
Os parâmetros básicos do acordo em discussão permanecem inalterados: um cessar-fogo de 60 dias, o descongelamento de US$12 bilhões em ativos iranianos, o levantamento do bloqueio marítimo e a reabertura do estreito no prazo de 30 dias. O programa nuclear de Teerã permanece fora dessas discussões — o seu destino será decidido em negociações separadas.
Enquanto os negociadores discutem detalhes, a guerra na região prossegue sem sinais de abrandamento. Em 28 de maio, a aviação israelense realizou ataques massivos contra 47 áreas povoadas no Líbano — no sul do país e no Vale do Bekaa, incluindo Nabatiyeh, Tiro e as proximidades do maior reservatório da região, Karun. O Irã continua a exigir o fim dos ataques israelenses contra o Hezbollah como condição prévia para qualquer acordo com Washington. Esse impasse continua sem solução.
Além disso, há outro fator importante: nas últimas 24 horas, o Ministério da Defesa de Taiwan registrou a presença de nove aeronaves e seis navios do Exército Popular de Libertação da China. Notavelmente, todas as nove aeronaves cruzaram a linha mediana do Estreito de Taiwan — uma divisão não oficial cuja travessia é considerada uma provocação deliberada. Embora esse número seja moderado para 2026 — já que em março foram registradas até 26 aeronaves por dia — a travessia sistemática da linha mediana por todo o grupo aéreo continua a ser um sinal preocupante.
Nesse contexto, o mercado de metais preciosos entrou numa fase de estabilização cautelosa. Após corrigir para US$4.473 — mínima não vista desde o final de março — o ouro recuperou para níveis próximos de US$4.531. Forças opostas mantêm as cotações em equilíbrio: a expectativa de redução das tensões geopolíticas sustentou o ouro no início da semana, mas a inflação elevada nos EUA (3,8%), a incerteza em torno do Federal Reserve e a continuidade da guerra voltaram a pressionar o metal.
Os principais bancos de investimento mantêm previsões otimistas: o JP Morgan projeta US$5.000 para o quarto trimestre de 2026, o Goldman Sachs prevê US$5.400 e o UBS estima US$5.900 no médio prazo.