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O dólar despencou frente a vários ativos de risco por razões objetivas.
O dólar recuou depois que o relatório do mercado de trabalho dos EUA referente a julho trouxe uma surpresa muito negativa. O emprego no setor não agrícola caiu em 23 mil vagas, enquanto os economistas esperavam um crescimento de 95 mil, e essa diferença entre o resultado efetivo e a previsão tornou-se o principal fator por trás da queda da moeda americana. O indicador de folhas de pagamento não-agrícolas (Nonfarm Payrolls - NFP) é considerado uma das medidas mais importantes das condições da economia, portanto, sua queda inesperada enfraqueceu significativamente os argumentos a favor de uma política monetária hawkish do Federal Reserve.
O cenário, porém, não foi completamente inequívoco. A taxa de desemprego caiu para 4,1%, ante os 4,2% esperados, e o número de desempregados totalizou 6,9 milhões, o que, à primeira vista, sugere resiliência do mercado de trabalho. No entanto, o mercado concentrou sua atenção na deterioração do emprego, uma vez que a perda de postos de trabalho aponta diretamente para uma desaceleração das contratações, e a queda da taxa de desemprego não foi suficiente para compensar esse sinal. Como resultado, as expectativas de um aperto monetário iminente pelo Fed diminuíram, e o dólar caiu junto com elas.
Para o euro e a libra esterlina, esse resultado representou um suporte significativo. A queda do dólar reduziu sua vantagem, permitindo que ambas as moedas europeias se fortalecessem, com EUR/USD e GBP/USD disparando em meio ao recuo da moeda americana.
Hoje, na primeira metade do dia, o índice de confiança dos investidores Sentix da zona do euro será o único indicador a atrair a atenção dos traders em relação ao euro. Esse indicador é baseado em pesquisas com investidores e analistas. Ele reflete suas avaliações sobre a situação atual e suas expectativas para a economia da região, funcionando como um indicador antecedente do sentimento do mercado. Ainda assim, em termos de importância, ele é inferior aos principais relatórios de inflação, PIB ou atividade empresarial e, portanto, normalmente não provoca uma reação forte no euro. Nessas condições, a dinâmica da moeda única será determinada principalmente pelo cenário externo. Enquanto não houver fatores internos significativos, o par EUR/USD provavelmente acompanhará o sentimento geral do mercado e o comportamento do dólar, em vez de reagir de forma expressiva à divulgação do indicador em si.
Quanto à libra, a ausência de dados do Reino Unido na primeira metade do dia provavelmente não será suficiente para definir a direção do par. Sem novos dados sobre inflação, emprego ou atividade empresarial, os traders não terão motivos para revisar suas posições, e são justamente esses indicadores que normalmente influenciam as expectativas em relação aos juros do Banco da Inglaterra (BoE) e determinam a direção da libra. Quando esses relatórios não são divulgados, a libra fica mais dependente de fatores externos, e seu principal guia passa a ser o sentimento em relação ao dólar. Por isso, os compradores da libra têm boas chances de dar continuidade ao movimento de alta. Na ausência de notícias domésticas negativas, o GBP/USD poderá manter mais facilmente seu viés altista e prolongar a alta recente.
Se os dados estiverem de acordo com as expectativas dos economistas, é melhor operar com base na estratégia de Reversão à Média (Mean Reversion). Se os dados ficarem muito acima ou muito abaixo das expectativas dos economistas, o mais indicado é utilizar a estratégia de Momentum.