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Hoje, o governador do Banco do Japão, Kazuo Ueda, indicou que um aumento da taxa de juros é provável já na reunião de 17–18 de setembro, afirmando que o banco central tomará sua decisão levando em consideração os riscos de alta para os preços. O iene se fortaleceu em relação ao dólar em resposta, sendo negociado em torno de 159,60 por dólar, embora continue próximo de níveis de fraqueza, após devolver grande parte dos ganhos gerados pela histórica intervenção coordenada do Japão e dos Estados Unidos em 31 de julho.
A formulação de Ueda, proferida após uma reunião de ministros das Finanças e presidentes de bancos centrais, foi incomumente clara pelos padrões japoneses. "Do ponto de vista da condução da política com uma abordagem de gestão de riscos, à medida que a taxa de inflação subjacente se aproxima de 2%, chegamos à conclusão de que precisamos prestar mais atenção do que antes aos riscos de alta na condução da nossa política", disse Ueda. Notavelmente, o chefe do BoJ não contrariou as expectativas do mercado, e os swaps overnight agora precificam integralmente um movimento em setembro.
Vale lembrar que Ueda tem sido especialmente cauteloso em sua comunicação desde as críticas ao aumento de juros de julho de 2024, que pegaram alguns traders de surpresa e contribuíram para a volatilidade dos mercados globais. Evitando comentar o posicionamento do mercado, afirmou que os dados econômicos estão consistentes com a visão do banco central e que a tendência dos preços está muito próxima da meta de 2%. "Acredito que os dados econômicos têm estado, em geral, em linha com o panorama econômico apresentado no Relatório de Perspectivas de julho e com o quadro que descrevi na coletiva de imprensa", disse, acrescentando que o entendimento subjacente do banco central sobre a política monetária futura não mudou de forma significativa.
A pressão externa sobre o BoJ também merece atenção. O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, intensificou ontem os apelos por uma ação adequada do banco central japonês e, em uma reunião com Ueda no domingo, enfatizou a importância de uma formulação sólida da política monetária e de uma comunicação eficaz para ancorar as expectativas de inflação e evitar uma volatilidade cambial excessiva. Ueda recusou-se a comentar os detalhes da conversa.
Ao mesmo tempo, os desenvolvimentos no mercado de títulos forçaram as autoridades japonesas a tranquilizar os investidores. O rendimento dos títulos públicos japoneses de referência de 10 anos atingiu 3% na terça-feira, o nível mais alto em três décadas. Contudo, a ministra das Finanças, Satsuki Katayama, afirmou que ninguém havia manifestado preocupação com a situação das finanças do Japão, enquanto Ueda descreveu a alta dos rendimentos como parte de uma tendência global.
Os dados econômicos recentes, de modo geral, reforçam a possibilidade de um novo aumento dos juros. Um importante indicador de inflação começou a acelerar e, segundo as projeções, deverá retornar a 3% no início do próximo ano. Os lucros corporativos recordes registrados no último trimestre reduzem as preocupações de que os custos mais elevados do petróleo e das matérias-primas limitem a capacidade das empresas de continuar aumentando os salários, e esse continua sendo um elemento crucial da justificativa do BoJ para uma inflação sustentável.
Vale destacar que um movimento em setembro marcaria o intervalo mais curto entre aumentos de juros durante o mandato de Ueda, rompendo os períodos de aproximadamente seis meses que, até o momento, têm caracterizado o ciclo de normalização da política monetária.