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O S&P 500 passou o verão subindo com tranquilidade, impulsionado pelo aumento dos lucros corporativos, ignorando a agitação no mercado de títulos e levando os gigantes de tecnologia a novas máximas. Com a chegada do outono, porém, o mercado de ações se despede dessa serenidade. Pela frente vem uma fase menos guiada pelos lucros e mais pela macroeconomia — taxas de juros, inflação e decisões do Fed —, e isso normalmente significa maior volatilidade.
Dinâmica sazonal dos índices de ações
A história não favorece os touros. O Dow Jones Industrial Average registrou uma queda média de 1,1% em setembro, segundo dados que remontam ao século XIX. O S&P 500 apresenta uma fraqueza sazonal semelhante e encerra o mês em baixa em mais da metade dos anos desde 1928. Wall Street alerta contra dar peso excessivo à sazonalidade isoladamente, mas há muitos motivos para cautela mesmo sem levá-la em consideração.
O principal catalisador é a reunião do Fed em 16 de setembro, cujo desfecho está mais incerto do que nunca. A decisão do presidente Kevin Warsh de deixar de sinalizar antecipadamente suas intenções privou os investidores de seus pontos de referência habituais, obrigando os traders a analisar minuciosamente cada discurso dos governadores em busca de pistas sobre o próximo movimento do banco central. Para aumentar a preocupação, há o mercado de títulos descontrolado: os rendimentos dos Treasuries subiram ao longo do verão impulsionados pelo petróleo mais caro, pelo aumento dos déficits dos EUA e pelo elevado volume de emissões corporativas das empresas de tecnologia. A liquidação então se tornou global, levando os rendimentos a máximas de vários anos no Japão, na Alemanha e no Reino Unido.
O S&P 500 e a dinâmica da atividade empresarial nos EUA
Ainda assim, não há sinais de pânico. A economia continua em boa forma graças a um mercado de trabalho forte e a um boom de investimentos impulsionado pela IA. Os lucros das grandes empresas continuam crescendo. O Cboe VIX está em sua mínima de 2026, e os spreads de crédito apertados indicam relativa calma entre os detentores de títulos. O JPMorgan aconselha seus clientes a comprar nas quedas do S&P 500, argumentando que a melhora nas projeções de lucros torna as ações mais baratas em termos de múltiplos durante eventuais correções, enquanto a atividade manufatureira nos EUA e na zona do euro está próxima das máximas de quatro anos.
A liderança, porém, pode mudar. O JPMorgan alerta que as ações americanas correm o risco de ceder a liderança pelo segundo ano consecutivo às ações de fora dos Estados Unidos. O EuroStoxx 600 caminha para registrar o quarto ano consecutivo de ganhos, embora ainda esteja atrás do S&P 500. A calmaria do verão persistirá após 16 de setembro? Só o tempo dirá.
Tecnicamente, o gráfico diário mostra que o S&P 500 está formando um padrão de cunha de estreitamento. Estratégias de rompimento ao longo das linhas da cunha são relevantes. Um rompimento acima da resistência em 7.755 justificaria a abertura de posições compradas, enquanto um teste bem-sucedido e um rompimento abaixo do suporte em 6.775 seriam um sinal de venda para o índice amplo. Fique atento aos falsos rompimentos.