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Risco de recessão no Reino Unido reforça expectativa de cortes de juros pelo BoE

Risco de recessão no Reino Unido reforça expectativa de cortes de juros pelo BoE

A economia do Reino Unido caminha para a recessão, o que pode forçar o Banco da Inglaterra a adotar uma postura de flexibilização monetária muito mais agressiva.

Analistas observam que os principais indicadores de crescimento do país seguem fracos. Além disso, dados de atividade empresarial e do mercado de trabalho apontam de forma crescente para um cenário recessivo. Segundo especialistas, a economia já apresenta sinais claros de desaceleração significativa, mesmo com cortes de empregos ainda relativamente moderados até o momento.

Outro ponto de atenção é a desaceleração do crescimento dos lucros corporativos, o que eleva o risco de novas demissões. O mercado de trabalho britânico vem se deteriorando em ritmo preocupante e, sob vários aspectos, já apresenta características típicas de recessão. Analistas alertam que, na ausência de melhora nos dados macroeconômicos e nos indicadores de emprego, a economia pode efetivamente entrar em recessão nos próximos meses.

Ao mesmo tempo, as pressões inflacionárias estão perdendo força. O crescimento dos salários desacelerou, e a inflação de serviços começa a se normalizar, reforçando a expectativa de que a inflação subjacente possa retornar à meta de 2% do Banco da Inglaterra ainda neste ano.

Nesse contexto, o mercado projeta cortes de juros em torno de 41 pontos-base em 2026, com um afrouxamento acumulado que pode chegar a 100 pontos-base ao longo de 2025/26, em linha com as atuais precificações.

Do ponto de vista dos investidores, analistas avaliam que o mercado acionário britânico permanece atrativo, apesar da fragilidade da economia doméstica. As ações podem se beneficiar de custos de financiamento mais baixos, de uma libra esterlina mais fraca e da elevada participação de receitas internacionais para muitas empresas listadas. No horizonte de curto prazo — entre três e seis meses —, alguns estrategistas chegam a preferir ações do Reino Unido em relação às da zona do euro.

Eles destacam que o mercado britânico ainda negocia com desconto e não aparenta estar sobrecomprado. Um fator adicional de suporte pode vir do setor de energia: a instabilidade política no Irã tem potencial para provocar um choque relevante de oferta no mercado de petróleo.

Dado o peso expressivo das empresas de petróleo e gás nos principais índices do Reino Unido, o mercado de ações britânico historicamente tende a superar o da zona do euro em períodos de alta dos preços do petróleo.

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