Pequim aposta na IA como criadora de empregos, não como substituta
A China anunciou recentemente um plano ambicioso para usar inteligência artificial na absorção de um número recorde de 12,7 milhões de graduados universitários em 2026. O volume de novos candidatos a emprego — maior do que a população da Bélgica — levou Pequim a declarar oficialmente a IA como uma ferramenta central para “modernizar” o mercado de trabalho diante das crescentes pressões demográficas.
A ministra do Trabalho, Wang Xiaoping, afirmou durante uma sessão da Assembleia Popular Nacional que essa estratégia tecnológica foi concebida para compensar a “crescente incerteza” no mercado de trabalho. Para criar 12 milhões de novos empregos urbanos, o governo pretende reformular programas de estágio e qualificação, direcionando-os para setores de ponta como veículos elétricos, drones (a chamada “economia de baixa altitude”) e inteligência artificial generativa. O movimento sinaliza uma transição clara do antigo modelo de produção em massa para indústrias de alta tecnologia.
Os mercados reagiram com cautela: o CSI 300 encerrou a semana em 3.842,15 pontos. Investidores temem que os elevados investimentos estatais em IA não gerem resultados imediatos, sobretudo devido à lacuna de qualificação entre muitos jovens profissionais. Analistas do Goldman Sachs destacam que, no curto prazo, manter o desemprego próximo de 5,5% continua sendo um desafio crítico, embora a produtividade possa aumentar no longo prazo.
A aposta de Pequim contrasta com o temor global de que a automação destrua empregos. Para a China, a IA pode tornar-se uma criadora líquida de vagas, contribuindo também para preservar a estabilidade social. O principal risco para essa estratégia, no entanto, está nas próximas negociações comerciais com os Estados Unidos, que podem limitar o acesso da China às tecnologias necessárias para implementar o plano.