JPMorgan Chase & Co.: navios retidos ameaçam manter os preços do petróleo elevados até meados do verão
“O mercado global de petróleo corre o risco de voltar aos níveis máximos observados no auge do conflito no Oriente Médio caso a normalização do fluxo de transporte pelo Estreito de Ormuz seja adiada até julho”, afirmaram analistas do JPMorgan Chase & Co..
A equipe liderada por Parsley Ong avalia que os preços atuais já incorporam um cenário excessivamente otimista. O consenso de mercado pressupõe uma rápida reabertura da via estratégica, com cerca de metade da capacidade normal restabelecida já em maio e uma normalização completa em junho. No entanto, os cálculos do banco sugerem que a realidade logística pode ser mais desafiadora.
Analistas do JPMorgan Chase & Co. alertaram que uma retomada mais gradual, com o retorno a 100% dos níveis pré-conflito apenas em julho, pode adicionar um risco de alta entre US$ 15 e US$ 20 por barril.
Os dois principais benchmarks — Brent e WTI — encerraram a sexta-feira ligeiramente abaixo da marca de US$ 100 por barril. Nesse cenário, os contratos futuros poderiam retornar aos picos registrados em meados de março, próximos de US$ 120 por barril.
O principal vetor de pressão segue sendo um colapso logístico em larga escala. Centenas de embarcações comerciais permanecem retidas no Golfo, aguardando a liberação da rota. O JPMorgan estima que, até 9 de abril, havia 346 navios na região ligados ao transporte de energia, dos quais 241 já estavam carregados com cargas destinadas à exportação e, na prática, impedidos de retornar aos mercados globais.