Merz se despede da era de amizade com os EUA, ao menos até Trump impor novas tarifas
A era da amizade incondicional entre a Europa e os Estados Unidos chegou oficialmente ao fim. O chanceler alemão, Friedrich Merz, reconheceu uma profunda crise nas relações com o governo de Donald Trump. Ao falar com colegas de partido em Berlim, Friedrich Merz afirmou que Washington avaliou de forma radicalmente equivocada o valor da aliança transatlântica e que não é mais possível confiar cegamente em parceiros do outro lado do Atlântico.
As declarações do chanceler ocorreram em meio a uma nova rodada de tensões geopolíticas. Nesta semana, o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, concordou em transformar seu país em um “membro associado” da União Europeia. Em resposta, Trump ameaçou imediatamente impor novas tarifas severas ao bloco europeu. A situação também foi agravada pelos recentes elogios do presidente dos EUA ao partido alemão de extrema direita Alternativa para a Alemanha (AfD), cujo sucesso nas eleições regionais provocou turbulência política no país.
As relações entre Berlim e Washington se deterioraram rapidamente desde a primavera. Em abril, Merz afirmou, de forma imprudente, que diplomatas dos EUA estavam sendo “humilhados” nas negociações sobre o Irã. Em resposta, Trump ordenou a retirada de 5.000 soldados americanos da Alemanha. O atual chanceler acaba fazendo eco a declarações feitas anteriormente por Angela Merkel, que, durante o primeiro mandato de Trump, em 2017, alertou que os laços confiáveis construídos no pós-guerra com os Estados Unidos eram coisa do passado.