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05.02.2026 08:17 PMO ouro segue em trajetória de queda, pressionado por uma combinação de fatores econômicos. Entre eles, destacam-se a valorização do dólar americano, que reduz a atratividade do metal, e o acordo entre o Irã e os Estados Unidos para a realização de negociações em Omã, que diminui os riscos geopolíticos e enfraquece a busca por ativos de proteção. Soma-se a isso a retração do consumo de ouro na China em 2025, que impõe um limite adicional ao potencial de alta do metal.
Segundo dados divulgados por uma associação estatal, o consumo de ouro na China recuou 3,57% em 2025, totalizando 950,096 toneladas métricas. Em contrapartida, a produção doméstica do metal avançou 1,09% em relação ao ano anterior, alcançando 381,339 toneladas métricas, o que contribui para um cenário de oferta mais confortável.
Os defensores de uma recuperação mais consistente do dólar evitam, por ora, assumir posições compradas agressivas, diante das expectativas de cortes nas taxas de juros por parte do Federal Reserve. Essas expectativas foram reforçadas por um relatório fraco da Automatic Data Processing (ADP) divulgado na quarta-feira, além de novos dados negativos do mercado de trabalho americano publicados hoje.
A nomeação de Kevin Warsh por Donald Trump para a presidência do Fed fortaleceu temporariamente a percepção de uma política monetária menos dovish, o que deu impulso ao dólar. No entanto, o próprio Trump esclareceu que retiraria a indicação caso Warsh defendesse aumentos de juros e reiterou sua convicção de que o Fed acabará reduzindo as taxas.
Além disso, o mercado segue precificando dois cortes adicionais nos custos de empréstimo em 2026, visão reforçada pelo desempenho decepcionante do emprego no setor privado dos EUA. Esse conjunto de fatores tem ajudado o ouro a evitar uma liquidação mais intensa. As tensões geopolíticas remanescentes também continuam oferecendo algum suporte ao metal, tradicionalmente visto como ativo de proteção.
Diante desse cenário, é prudente aguardar uma aceleração mais consistente do movimento vendedor antes de assumir posições voltadas para uma correção prolongada a partir das máximas históricas.
Do ponto de vista técnico, a quebra abaixo do nível psicológico de US$ 5.000 ontem, seguida da continuidade das perdas hoje, favorece os ursos. Ainda assim, os osciladores no gráfico diário permanecem em território positivo, e o histograma do MACD abaixo da linha de sinal sugere enfraquecimento do impulso de queda. Assim, enquanto os preços se mantiverem acima de US$ 4.800 e da SMA de 20 dias, os compradores ainda preservam alguma chance de manter o controle do mercado.
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*A análise de mercado aqui postada destina-se a aumentar o seu conhecimento, mas não dar instruções para fazer uma negociação.
