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26.05.2026 05:33 PM
O dólar americano procura um novo trunfo

Mesmo que o conflito armado no Médio Oriente terminasse amanhã, os bancos centrais ainda teriam de aumentar as taxas de juros. A infraestrutura energética dos países do Golfo Pérsico sofreu danos significativos; até que a região seja reconstruída, os preços do petróleo permanecerão acima dos níveis anteriores ao início dos bombardeamentos. Isso significa inflação mais alta na zona do euro e a necessidade de o BCE combatê-la — afirmou Isabel Schnabel, membro do Conselho do BCE. Os touros do EUR/USD já estão a aproveitar essas declarações para preparar um novo ataque.

Perspectivas do BCE para a inflação na Europa

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O dólar americano continua indeciso quanto à direção, porque chegam informações contraditórias do Médio Oriente. Ora a Casa Branca fala de progressos nas negociações com o Irã e demonstra confiança num acordo; ora novos incidentes voltam a ocorrer na região. Após um ataque a navios de contramedidas de minas, Teerã iniciou bombardeamentos contra bases dos EUA; os Estados Unidos responderam de forma simétrica. Mas isso pode realmente ser considerado uma violação do cessar-fogo equivalente a uma escalada?

Nem os EUA nem o Irã parecem pensar assim. Ambos continuam o diálogo sobre um acordo de paz, embora por vezes emitam declarações duras e agressivas. Donald Trump insiste que ou conseguirá um bom acordo ou não haverá acordo algum — e, se não houver acordo, começarão novos bombardeamentos ainda mais intensos do que os anteriores. O aiatolá supremo Mojtaba Khamenei afirma que os países do Médio Oriente deixarão de servir como escudo para bases americanas.

O mercado de futuros encara com cautela a retórica de Washington e Teerã. Atualmente, os derivativos precificam cerca de 55% de probabilidade de um aumento da taxa de juros de referência do Fed em 2026. O achatamento da curva de rendimentos indica que a Reserva Federal pode não ter outra escolha senão endurecer a política monetária.

Dinâmica da curva de rendimentos dos EUA

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O Crédit Agricole acredita que os investidores não precisam se preocupar com o destino do índice do dólar americano. Sua dinâmica ainda é regida pela teoria do "sorriso do dólar". Se a moeda norte-americana não conseguir se beneficiar dos temores de recessão decorrentes do conflito no Oriente Médio e do fechamento do Estreito de Ormuz, ela terá outro trunfo: um aumento do apetite global pelo risco.

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Apesar de ser bastante provável um aumento da taxa de depósitos do BCE em junho, os diferenciais de custo de financiamento continuarão a favorecer o dólar americano. Isso permitirá que os traders de carry trade utilizem o dólar norte-americano como moeda de financiamento em meio a ralis acionários e à queda da volatilidade cambial.

Do ponto de vista técnico, o gráfico diário do EUR/USD continua a mostrar uma batalha na banda inferior da faixa de valor justo entre 1,1630 e 1,1785. Uma vitória dos touros aumentaria as probabilidades de continuação do rali e serviria como gatilho para compras de euros. Por outro lado, uma derrota reabriria a estratégia de venda do principal par cambial.

Marek Petkovich,
Analytical expert of InstaTrade
© 2007-2026

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