empty
 
 
27.05.2026 02:17 PM
O Parlamento Escocês apoia o apelo por um novo referendo sobre a independência. A libra esterlina é negociada sem alterações

Na terça-feira, o Parlamento da Escócia apoiou uma nova iniciativa para a realização de um referendo sobre a independência do Reino Unido, aprovando uma moção que solicita a Londres a transferência dos poderes necessários para que o parlamento regional possa organizar essa votação. A maioria dos deputados votou a favor da proposta — apenas 55 dos 129 parlamentares votaram contra.

É importante destacar que o Parlamento escocês não autorizou oficialmente um referendo, limitando-se apenas a solicitar formalmente que Londres lhe transfira as competências necessárias. Por esse motivo, os traders do par GBP/USD reagiram de forma relativamente moderada à notícia: o preço renovou uma mínima local em 1,3433, mas posteriormente regressou à região intermédia dos 1,34.

Em outras palavras, os participantes do mercado receberam essa notícia potencialmente sensacionalista com relativa calma e sem sinais de pânico, tendo em conta a longa duração e a natureza bastante ambígua da questão escocesa. Ainda assim, na minha visão, trata-se de um sinal suficientemente preocupante, que poderá transformar-se num verdadeiro alerta caso a iniciativa de Edimburgo comece a ganhar apoio no centro do poder político britânico.

This image is no longer relevant

A moção aprovada pelos deputados solicita uma ordem ao abrigo da Seção 30 do Scotland Act de 1998, que concederia ao Parlamento escocês autoridade para organizar um referendo sobre a independência.

Recorde-se que, em 2014, a Escócia realizou um referendo no qual os residentes da região votaram contra a saída do Reino Unido. Essa votação ocorreu dois anos antes de outro plebiscito histórico — o referendo nacional em que o país decidiu, por uma margem apertada, sair da União Europeia. Ao contrário do restante Reino Unido, os escoceses adotaram uma posição pró-europeia: mais de 60% votaram contra o Brexit. Depois disso, o sentimento na Escócia mudou significativamente a favor da independência; segundo pesquisas, em um novo referendo Edimburgo poderia, com elevada probabilidade, votar pela saída do Reino Unido e posteriormente buscar o regresso à União Europeia.

Por sua vez, Londres tem procurado evitar esse cenário, apontando para o resultado de 2014 e argumentando que a questão já foi submetida à população e resolvida contra a independência. Em outras palavras, as autoridades britânicas partem do princípio de que a vontade dos escoceses já foi expressa.

Ainda assim, o Partido Nacional Escocês vem insistindo, de forma consistente há vários anos, na necessidade de um novo referendo, apesar da posição rígida do governo central. Esses debates não são novos. Em 2021, a então primeira-ministra Nicola Sturgeon promoveu ativamente o tema, afirmando que a região pretendia regressar à União Europeia "como uma nação independente".

Cinco anos depois, o debate sobre a saída do Reino Unido voltou a ganhar força, impulsionado pelos resultados inesperados das eleições locais no Reino Unido e pelo aumento da mobilização política na Escócia. E embora o consentimento formal de Londres ainda pareça improvável, o debate político em torno da questão tornou-se praticamente inevitável.

O fato é que os resultados das mais recentes eleições locais no Reino Unido reforçaram a fragmentação política, refletindo o enfraquecimento do tradicional sistema bipartidário. Os principais vencedores das eleições foram o partido de direita Reform UK, de Nigel Farage, e os representantes do Partido Verde. O partido de direita assumiu o controle de dez conselhos locais, conseguindo retirar votos tanto dos Conservadores quanto do Partido Trabalhista, que tradicionalmente dependiam do apoio da classe trabalhadora. O mandato democrático de Edimburgo saiu fortalecido em meio ao colapso eleitoral histórico dos principais partidos britânicos na Escócia.

Diante desse cenário, Londres vê-se obrigada a responder de forma mais ativa ao crescimento dos sentimentos regionais e de protesto. Ao mesmo tempo, o enfraquecimento da posição do Partido Trabalhista reduz a eficácia do principal travão político às iniciativas independentistas, já que os trabalhistas têm sido historicamente os seus opositores mais consistentes.

Assim, é provável que Westminster rejeite o pedido, mas poderá tentar criar um formato de negociação ou uma comissão para reduzir a tensão política. Não se pode excluir a possibilidade de a Escócia avançar com medidas unilaterais ou consultivas, o que aumentaria a incerteza institucional — por exemplo, através de um plebiscito "consultivo". Outras possibilidades incluem recursos judiciais e até a formação de uma "convenção constitucional da Escócia", como tentativa de desenvolver um modelo de independência fora de um referendo formal.

Esses cenários poderão exercer pressão sobre a libra esterlina, especialmente tendo em conta a posição instável do primeiro-ministro Keir Starmer, que recentemente evitou por pouco perder o cargo após os fracos resultados nas eleições locais.

De forma geral, é justo concluir que o Partido Nacional Escocês intensificou a sua retórica e adotou uma postura mais confrontacional. Isso significa que a questão da independência da Escócia voltará a aparecer regularmente nas manchetes, provocando maior volatilidade no par GBP/USD. Em caso de aumento da incerteza e, sobretudo, de turbulência política, a libra esterlina voltará a enfrentar uma pressão significativa.

Do ponto de vista técnico, no gráfico de quatro horas o GBP/USD encontra-se entre as linhas média e inferior das Bandas de Bollinger e abaixo das linhas Tenkan-sen e Kijun-sen. Ao mesmo tempo, o preço continua a ser negociado dentro da nuvem Ichimoku Kumo. O alvo mais próximo para um movimento descendente encontra-se em 1,3400 — o limite inferior da nuvem Kumo, que coincide com a banda inferior de Bollinger no mesmo gráfico.

Irina Manzenko,
Analytical expert of InstaTrade
© 2007-2026

Recommended Stories

Não pode falar agora?
Faça sua pergunta no chat.