Bitcoin surge como reserva estratégica contra riscos deflacionários nos EUA
A fundadora da Ark Invest, Cathie Wood, sugeriu que o Bitcoin pode funcionar como uma espécie de “seguro” contra um ciclo de deflação potencialmente perigoso, que, segundo ela, poderá atingir a economia global à medida que a inteligência artificial avança.
Wood argumenta que a natureza descentralizada do ativo e a sua oferta rigidamente limitada o tornam mais confiável do que instrumentos financeiros tradicionais num contexto de transformação tecnológica acelerada. Para os analistas da Ark, a adoção generalizada da IA tende a reduzir de forma significativa os custos de produção das empresas, exercendo pressão descendente sobre os preços de bens e serviços.
Embora preços mais baixos possam parecer, à primeira vista, benéficos para os consumidores, esse processo pode representar um risco sistémico para governos altamente endividados. Com a queda dos preços, a arrecadação fiscal tende a diminuir, tornando cada vez mais difícil sustentar o serviço da dívida pública — em especial no caso dos Estados Unidos, cujo endividamento federal já se encontra na casa das dezenas de trilhões de dólares.
Diante desse cenário, Wood defende que as autoridades considerem a diversificação das reservas oficiais, incorporando o Bitcoin como forma de proteção das finanças públicas contra a erosão das moedas fiduciárias. Num ambiente em que a tecnologia reduz rapidamente o custo de produtos e serviços, o ativo seria não apenas um hedge contra a inflação, mas também uma reserva estratégica de valor num mundo potencialmente marcado por pressões deflacionárias.