Um choque petrolífero prolongado pode levar o Fed a adotar uma postura mais restritiva
Analistas da BofA Securities alertaram, em 26 de março de 2026, que o Federal Reserve pode voltar a um ciclo de alta de juros diante da disparada dos preços da energia. A escalada do conflito militar no Irã e o bloqueio efetivo do Estreito de Hormuz criaram um ambiente propício à manutenção de pressões inflacionárias nos Estados Unidos por mais tempo.
Segundo Aditya Bhave, o cenário mais provável envolve um aperto das condições monetárias caso o petróleo WTI se mantenha, em média, entre US$ 80 e US$ 100 por barril. Na quarta-feira, os contratos futuros do Brent chegaram a recuar 4,1%, sendo negociados a US$ 100,23 por barril.
A interrupção do tráfego de petroleiros por essa rota estratégica — responsável por cerca de um quinto do consumo global de petróleo — já começa a impactar diretamente os preços dos combustíveis nos Estados Unidos. Dados da S&P Global indicam que empresas industriais americanas enfrentam custos significativamente mais elevados na aquisição de commodities.
O Fed só deverá adotar uma postura mais acomodatícia caso a demanda do consumidor caia de forma acentuada, como resultado de um choque temporário de preços. Por outro lado, uma queda prolongada no mercado acionário e o risco de deterioração no mercado de trabalho podem obrigar o banco central a equilibrar dois objetivos desafiadores: conter a inflação e sustentar o crescimento econômico em meio à crise.