Conflito no Irã desacelera o crescimento global e amplia os riscos de estagflação
Pesquisas empresariais recentes, divulgadas em 24 de março de 2026, confirmaram a ocorrência de um choque macroeconômico sincronizado em escala global. Os índices de gerentes de compras (PMIs) registraram queda acentuada nas principais economias, pressionados pela redução na oferta de commodities e pelo aumento dos custos logísticos decorrentes do conflito militar no Irã.
O PMI composto da zona do euro deteriorou-se mais do que o esperado pelo mercado, enquanto a atividade industrial na Índia atingiu o nível mais baixo desde 2021. “Uma recuperação incipiente tende a ser contida pela combinação de preços mais elevados do petróleo, condições financeiras mais restritivas e enfraquecimento da confiança empresarial”, afirmou Jamie Rush, chefe de economia global do Bloomberg Economics.
O Banco Central Europeu e o Banco da Inglaterra passaram a adotar um discurso mais cauteloso e restritivo, com o objetivo de conter as expectativas de inflação em meio à crise energética. O BCE avalia a possibilidade de um aumento de juros em abril de 2026, enquanto o Banco do Japão não descarta uma medida semelhante para estabilizar o sistema financeiro.
As projeções apontam para maior resiliência do setor manufatureiro dos Estados Unidos em comparação com os mercados europeu e asiático. O principal fator a moldar a dinâmica macroeconômica em 2026 será a duração do bloqueio no Estreito de Ormuz e a velocidade com que as autoridades monetárias conseguirão mitigar os efeitos de uma forte alta nos preços do petróleo.