Os Estados Unidos lucram com o crescimento; a Europa apoia-se no medo
O euro corre o risco de sofrer nova desvalorização frente ao dólar americano em meio à prolongada crise no Estreito de Ormuz e ao aumento da divergência macroeconômica entre as duas regiões.
O dólar continua a ser sustentado por dados contrastantes: os indicadores macroeconômicos dos Estados Unidos têm superado recentemente as expectativas do mercado, enquanto a economia europeia continua a apresentar resultados fracos de forma persistente.
Embora ambas as regiões enfrentem inflação importada relacionada ao conflito e aumento dos gastos públicos, os fatores que impulsionam a alta dos rendimentos nos mercados de dívida soberana são fundamentalmente diferentes:
Estados Unidos: os rendimentos dos Treasuries estão subindo graças à forte atividade empresarial e à expansão real da economia.Zona euro: o crescimento do PIB está a perder força, mas os rendimentos dos títulos da dívida pública alemã não recuam apenas devido aos receios inflacionários.Analistas alertam para um risco crescente de erro de política monetária por parte do Banco Central Europeu. Caso a desaceleração econômica da zona euro se aprofunde enquanto o BCE mantém os juros inalterados — ou até os eleva em resposta a sinais equivocados — isso poderá provocar um forte achatamento da curva de rendimentos.
A redução das posições especulativas vendidas em dólar abre espaço para uma nova valorização da moeda americana, especialmente se o conflito no Médio Oriente permanecer numa fase mais intensa.
Para o mercado acionista europeu, um euro fraco significa que a tendência atual deverá continuar: as empresas exportadoras tendem a superar o desempenho das companhias mais dependentes da procura interna. Analistas acreditam que apenas uma resolução completa do conflito militar poderá restaurar o interesse dos investidores pelas empresas cíclicas e domésticas da Europa, além de impulsionar novamente o par EUR/USD.