BofA sinaliza mudança de rumo enquanto EUA buscam controle do petróleo venezuelano, levantando preocupações com a dívida
O Bank of America (BofA) percebeu uma grande mudança na postura da política externa dos EUA diante dos planos de Washington de assumir o controle operacional das reservas de petróleo da Venezuela, estimadas em 65 bilhões de barris. De acordo com a analista do BofA, Anne Milne, a iniciativa está ocorrendo em um contexto de forte desaceleração no desenvolvimento do setor de petróleo e gás da Venezuela. Segundo fontes do BofA, o governo dos EUA espera assinar um acordo de 25 anos, abrangendo 17 campos petrolíferos, por meio de uma parceria entre o Departamento de Defesa dos EUA e a NABEP, uma estrutura ligada ao empresário venezuelano Alejandro Betancourt. O projeto tem como objetivo atrair até US$ 100 bilhões em investimentos e garantir aos Estados Unidos 55% do volume efetivo de produção da nova empresa, com a meta de superar 1,5 milhão de barris por dia.
Em relação aos parâmetros anunciados, o BofA manteve sua previsão para a produção de petróleo venezuelano em 1,6 milhão de barris por dia, mas adiou o prazo para atingir esse nível do final de 2027 para 2028, ressaltando que o mercado precisará de tempo para se adaptar ao novo marco institucional. Ao mesmo tempo, o banco considerou altamente ambíguo o impacto do acordo sobre as perspectivas de resolução do default soberano da Venezuela. Embora um influxo de investimentos possa reanimar setores estagnados, o volume efetivo de receitas orçamentárias disponíveis para Caracas permanece incerto, e o modelo proposto ainda não foi testado na prática. Além disso, os credores domésticos estabelecidos correm o risco de ter suas classificações rebaixadas caso Washington canalize recursos financeiros para a reconstrução da infraestrutura sob seu próprio controle. Outros obstáculos incluem o alto custo da extração de petróleo pesado na bacia do Orinoco e a necessidade de vendê-lo com um grande desconto em relação ao preço de mercado.