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26.10.2026 03:20 PM
As expectativas de um aumento da taxa de juros pelo Fed estão diminuindo, mas o ouro ainda não consegue escapar da pressão

Hoje, o ouro apresentou uma leve recuperação após registrar sua maior queda semanal desde junho. O ouro à vista subiu cerca de 0,6%, voltando a superar US$ 4.000 por onça-troy. Na semana passada, o metal perdeu mais de 4%, enquanto a prata recuou 5,4% e agora é negociada em torno de US$ 53,92.

A recuperação reflete a melhora do sentimento do mercado. Os preços do petróleo recuaram após atingirem máximas de seis meses, depois que tanto os EUA quanto o Irã mantiveram suas declarações habituais, e as ações se recuperaram de uma onda de vendas provocada por dúvidas sobre o setor de IA. Esses acontecimentos são relevantes para o ouro porque, na semana passada, o metal foi vendido para cobrir perdas em ações, enquanto a migração de recursos de ações de empresas ligadas à IA para títulos de renda fixa intensificou a pressão vendedora. Essa reversão parcial deu ao mercado — e ao ouro — um pouco de fôlego.

Os mercados de títulos e as expectativas para as taxas de juros continuam sendo as principais referências. Inicialmente, os traders passaram a atribuir maior probabilidade a uma alta dos juros em outubro, após dados de inflação acima das expectativas, mas declarações de autoridades do Federal Reserve (Fed) esfriaram esse cenário. Agora, o mercado precifica uma probabilidade inferior a 10% de alta dos juros na reunião desta semana, embora os preços elevados da energia ainda sustentem a possibilidade de aumentos até o fim do ano. Para o ouro — que não rende juros —, o custo elevado do dinheiro continua sendo um obstáculo. Por isso, a baixa probabilidade de uma alta em outubro não proporcionou suporte significativo ao metal.

Vale lembrar que o ouro caiu cerca de 25% desde que o conflito entre os EUA e o Irã se intensificou no fim de fevereiro, à medida que os bancos centrais apertaram a política monetária para conter a inflação. Na sexta-feira, o preço atingiu seu nível mais baixo desde julho. Um sinal preocupante foi a saída de recursos dos ETFs: dados preliminares mostram que os resgates diários ultrapassaram 10 toneladas. As posições dos fundos vinham aumentando semanalmente desde meados de julho e alcançaram máximas de vários anos, apesar da queda dos preços. Por isso, os participantes do mercado estão acompanhando essa tendência de perto.

Tudo isso sugere que o ouro continua em fase de consolidação e que a onda de vendas talvez ainda não tenha chegado ao fim. Muitos analistas argumentam que a reação moderada do ouro a um cenário menos restritivo para os juros indica a persistência da pressão vendedora, embora a demanda por ativos de refúgio deva oferecer sustentação quando as liquidações terminarem. Acredito que, enquanto o petróleo permanecer caro e o Fed não emitir sinais claramente favoráveis à flexibilização monetária, o ouro oscilará em torno de US$ 4.000. Uma alta sustentada só será provável quando houver um alívio mais claro das pressões sobre os rendimentos dos títulos e a inflação.

Panorama técnico: os compradores precisam superar a resistência mais próxima, em US$ 4.062. Isso abriria caminho para um alvo em US$ 4.124, acima do qual um rompimento será relativamente difícil. O alvo mais distante está na região de US$ 4.192.

No movimento de baixa, os participantes que apostam na queda dos preços tentarão assumir o controle do nível de US$ 4.008. Se conseguirem, o rompimento para baixo da faixa de negociação representará um duro golpe para os compradores e levará o ouro a US$ 3.954, com possibilidade de queda adicional até US$ 3.906.

Miroslaw Bawulski,
Analytical expert of InstaTrade
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