BCA vê fortes perspectivas para o yuan chinês
O yuan chinês continua a ser considerado “subvalorizado e altamente competitivo”, o que coloca Pequim em posição de fortalecer sua moeda nacional sem abdicar do papel de potência exportadora. Segundo analistas da BCA Research, essa subvalorização atual permite que a China preserve sua liderança nos mercados globais, mesmo diante de uma tendência gradual de valorização cambial.
Às vésperas do Ano Novo Lunar, o yuan offshore atingiu o nível mais alto em três anos frente ao dólar americano. O movimento coincidiu com declarações dos líderes das duas maiores economias do mundo: Xi Jinping defendeu que a moeda chinesa se torne uma “divisa forte” para reservas globais, enquanto Donald Trump reiterou apoio a um dólar mais fraco como forma de reduzir o déficit comercial dos Estados Unidos.
Para os estrategistas da BCA, entre eles Chester Ntonifor e Marko Papic, um yuan mais valorizado tende a favorecer a economia chinesa. A apreciação cambial ajudaria a deslocar o foco do crescimento baseado em exportações para o fortalecimento do consumo interno, ainda fragilizado pela crise no setor imobiliário. Além disso, um yuan mais forte poderia contribuir para a redução do déficit na conta de capitais e ampliar a autonomia financeira do país em relação a Washington.
A BCA avalia que a expansão do mercado global, combinada a um yuan competitivo, permitirá que a China mantenha sua relevância na economia mundial. Os analistas sugerem que investidores aumentem a exposição a ativos chineses, destacando que a moeda tem potencial para se tornar a nova “âncora cambial” da Ásia. Entre as estratégias mais promissoras para os próximos anos, eles apontam uma posição comprada em yuan contra o dólar de Hong Kong, apostando que os mercados reconhecerão cada vez mais o crescente peso econômico da China.