Barclays aponta resiliência da economia dos EUA diante de riscos geopolíticos
A economia dos Estados Unidos vem demonstrando resiliência em meio à crise no Oriente Médio, impulsionada pelo aumento dos gastos do governo e pela forte demanda no setor de tecnologia. O Barclays projeta um crescimento de 2,3% do PIB norte-americano na comparação anual no primeiro trimestre de 2026.
Essa estimativa supera em cerca de um ponto percentual as projeções do GDPNow, refletindo a normalização das despesas orçamentárias após a paralisação do governo federal no ano anterior. O cenário-base aponta para um crescimento do PIB de 2,4% ao longo de 2026 e de 1,5% em 2027. A queda de 0,5% na produção industrial em março é atribuída por analistas à volatilidade no setor de extração de recursos naturais, enquanto a demanda por equipamentos de inteligência artificial permanece em níveis elevados.
Os gastos dos consumidores cresceram apenas 0,8% em fevereiro na comparação anual, mas o Barclays espera uma aceleração das vendas no varejo para 1,3% em março, na base mensal. O déficit orçamentário federal pode alcançar US$ 2 trilhões em 2026 e 2027, devido à queda nas receitas tarifárias e ao aumento expressivo dos gastos com defesa. Esse avanço das despesas públicas deve compensar parcialmente os impactos dos riscos geopolíticos sobre a demanda doméstica.
O Federal Reserve deve manter as taxas de juros inalteradas na reunião de abril de 2026. O banco central projeta o primeiro corte de 25 pontos-base apenas para setembro de 2026, seguido de outro em março de 2027. Ainda assim, especialistas avaliam que a manutenção de uma política monetária mais restritiva segue sendo provável, diante da instabilidade nos mercados de commodities.