Traders de petróleo alertam que um conflito prolongado com o Irã pode desencadear uma recessão global
Uma queda abrupta na demanda por petróleo, somada ao bloqueio do Estreito de Ormuz, pode empurrar a economia global para uma desaceleração prolongada — especialmente se as interrupções no transporte no Golfo Pérsico persistirem por mais de três meses. Esse é o alerta de grandes players do mercado de energia.
A ação militar no Irã já retirou cerca de 4 milhões de barris por dia da demanda global, número que pode chegar a 5 milhões no próximo mês. Para Russell Hardy, CEO do grupo Vitol Group, os efeitos econômicos completos do conflito ainda não foram totalmente sentidos. Já executivos da Gunvor Group foram mais diretos: um fechamento prolongado do Estreito de Ormuz inevitavelmente levaria o mundo a uma recessão, diante da escassez severa de petróleo nos mercados globais.
O bloqueio dessa rota estratégica retirou aproximadamente 13 milhões de barris por dia da oferta e já força paralisações em indústrias petroquímicas na China, no Japão e na Coreia do Sul. Saad Rahim, economista-chefe da Trafigura, chama atenção para uma escassez estrutural de hidrocarbonetos em setores menos visíveis da economia. “Se a crise se prolongar, simplesmente não haverá oferta suficiente — alguém ficará sem. E isso significa contração da atividade econômica”, alertou.
Os impactos já começam a se espalhar: companhias aéreas como KLM, Scandinavian Airlines e Lufthansa iniciaram cancelamentos em massa ou elaboram planos de contingência diante da escassez de combustível de aviação.
A Agência Internacional de Energia (AIE), por sua vez, reduziu a zero a projeção de crescimento da demanda global por energia — algo que não ocorria desde 2020. No Sudeste Asiático, o aumento nos custos de fertilizantes já afeta a agricultura, levando produtores de arroz a abandonarem colheitas.
Embora os preços do petróleo tenham se estabilizado temporariamente em torno de US$ 95 por barril em 23 de abril de 2026, executivos da Gunvor alertam: a volatilidade deve retornar com força caso o conflito armado continue.