A IA não é a culpada pelos cortes em massa de empregos na área de TI
Segundo analistas do Goldman Sachs, a desaceleração das contratações no setor de tecnologia dos Estados Unidos está relacionada principalmente às consequências da expansão excessiva do quadro de funcionários durante a pandemia, e não aos avanços da inteligência artificial ou ao aperto da política monetária.
As estimativas do banco indicam que, desde 2022, o ritmo de contratações na indústria de tecnologia tem ficado cerca de 5 pontos percentuais abaixo da média histórica em termos anuais. Aproximadamente metade dessa desaceleração pode ser atribuída à normalização dos quadros de funcionários após o intenso ciclo de contratações ocorrido entre 2020 e 2022.
O mercado costuma apontar três principais fatores para o esfriamento do mercado de trabalho no setor de tecnologia: as taxas de juros elevadas do Federal Reserve (Fed), o aumento da eficiência proporcionado pela inteligência artificial e o ajuste dos quadros de funcionários. No entanto, o estudo do Goldman Sachs coloca em dúvida a importância dos dois primeiros fatores.
O banco não encontrou evidências de que o elevado custo do crédito tenha sido o principal responsável pelo congelamento das contratações. Os analistas classificaram as empresas de tecnologia listadas em bolsa de acordo com as mudanças em seus índices de cobertura de juros. O resultado mostrou que companhias com maior ou menor sensibilidade às taxas de juros estão contratando em ritmos praticamente idênticos, em linha com a média do setor.
A influência da inteligência artificial sobre o emprego existe, mas é relativamente limitada. O banco estima que a automação responda por apenas 0,5 ponto percentual da desaceleração total das contratações. Ao mesmo tempo, os analistas confirmam que empresas que justificam demissões pela adoção da IA realmente estão reduzindo cargos especializados de forma mais agressiva do que concorrentes que não utilizam esse argumento.
O principal fator por trás da desaceleração continua sendo o ajuste dos quadros de funcionários. As empresas que mais ampliaram suas equipes durante a pandemia são justamente as que agora apresentam o maior atraso nas contratações. Esse fator explica até 2 pontos percentuais da desaceleração atual. Em síntese, o Goldman Sachs conclui que a normalização dos quadros de funcionários exerce um impacto três a quatro vezes maior sobre a redução das contratações no setor de tecnologia do que a adoção de tecnologias de inteligência artificial.