A desvalorização do dólar impulsiona a criação de novos milionários
A riqueza global vem crescendo de forma constante pelo terceiro ano consecutivo, superando o ritmo de expansão da atividade econômica real. De acordo com o Global Wealth Report 2026, elaborado pelo banco suíço UBS, aproximadamente 1 milhão de novos milionários em dólares foram criados apenas em 2025, o equivalente a uma média de 2.680 novos indivíduos ricos por dia.
Embora a acumulação de capital normalmente esteja associada ao crescimento da produtividade e à disposição para assumir riscos de investimento, o economista-chefe do UBS, Paul Donovan, observa que a simples sorte — estar no lugar certo durante períodos de grandes transformações estruturais — também desempenha um papel importante. No curto prazo, as taxas de câmbio foram o principal fator por trás desses números. O enfraquecimento do dólar americano em 2025 elevou mecanicamente a riqueza global medida em dólares, com crescimento variando de 1,6% no Sudeste Asiático a 17% na Europa Ocidental e 28% na Europa Oriental.
Apesar do crescimento geral, a distribuição da riqueza continua extremamente desigual. Mais da metade da riqueza mundial está concentrada em apenas dois mercados: Estados Unidos (37,5%) e Grande China (18,5%). A Europa responde por outros 22%. Os Estados Unidos lideram a criação de milionários, adicionando 440 mil novos milionários em apenas um ano, o equivalente a mais de 1.200 novos milionários por dia. Vale destacar que nenhum dos 56 mercados analisados encerrou 2025 com redução no número de indivíduos ricos.
Entre outros fatores estruturais que contribuíram para esse crescimento, os analistas destacam a expressiva transferência intergeracional de riqueza, o aumento da participação das mulheres entre os proprietários de ativos e a normalização dos níveis de endividamento das famílias. De forma paradoxal, a inflação e a elevação do padrão de vida ajudaram uma parcela significativa da população a sair das faixas de menor riqueza.
No entanto, o rápido enriquecimento do setor privado vem atraindo a atenção das autoridades. Com elevados níveis de dívida pública em todo o mundo, os governos provavelmente começarão a buscar formas de mobilizar o capital privado para financiar seus gastos. As redes sociais agravam esse cenário, tornando a desigualdade muito mais visível e intensificando a sensação de injustiça na sociedade, mesmo em países onde a diferença efetiva de renda tenha diminuído estatisticamente.