Confiança do consumidor nos EUA atinge mínima desde dezembro com aumento das preocupações da classe média
O sentimento do consumidor nos Estados Unidos caiu para o nível mais baixo desde dezembro do ano passado, mas as famílias ainda não acreditam que os efeitos do conflito militar com o Irã sobre a inflação e o crescimento serão duradouros. Essa é a principal conclusão da pesquisa da Universidade de Michigan divulgada na sexta-feira.
O índice de confiança do consumidor recuou para 53,3 pontos em março, ante 56,6 em fevereiro. Apesar de ser a leitura mais fraca de 2026 até o momento, o resultado ainda permanece acima das mínimas registradas no ano passado, quando os consumidores enfrentavam forte pressão devido às políticas tarifárias agressivas do governo.
O levantamento mostrou que as famílias de renda média e alta, além dos investidores no mercado de ações — considerados por muitos economistas como motores do consumo — foram as mais afetadas. A alta dos preços da gasolina e a volatilidade dos mercados, impulsionadas pelo início da ofensiva militar conjunta entre EUA e Israel contra o Irã no fim de fevereiro, pesaram diretamente sobre a renda e a confiança desses grupos.
Segundo Joanne Hsu, diretora da pesquisa na Universidade de Michigan, esse público registrou quedas especialmente acentuadas na confiança. Em todo o país, as expectativas econômicas de curto prazo e a perspectiva financeira para os próximos 12 meses recuaram de forma significativa, enquanto as projeções de longo prazo apresentaram apenas uma deterioração moderada.
Na avaliação de Hsu, os dados indicam que, por enquanto, os consumidores não esperam que os choques econômicos negativos se prolonguem no longo prazo. No entanto, ela alerta que o cenário pode se deteriorar rapidamente caso o conflito com o Irã se prolongue ou se a alta dos preços de energia se torne persistente, alimentando uma inflação subjacente mais ampla.