Bloqueio do Estreito de Ormuz: uma mina de ouro para as empresas petrolíferas
Se as ações militares no Irã e o bloqueio efetivo do Estreito de Ormuz se prolongarem até junho, os preços globais do petróleo poderão disparar para impressionantes US$ 200 por barril, alertam analistas do Macquarie Group.
Uma equipe liderada por Vikas Dwivedi delineou dois cenários possíveis para o mercado de commodities. O cenário base, denominado “Paz Rápida”, ao qual os analistas atribuem uma probabilidade de 60%, pressupõe o fim do conflito até o final do próximo mês, permitindo a normalização das cadeias logísticas e uma rápida estabilização dos preços.
Já o cenário alternativo, “Guerra Prolongada” (40% de probabilidade), considera a continuidade dos combates ao longo do segundo trimestre. Nesse caso, segundo o banco, os preços do petróleo ajustados pela inflação poderão atingir novos máximos históricos, ultrapassando com folga os US$ 200 por barril.
“Se o estreito permanecer fechado por um período prolongado, os preços terão de subir a níveis tão elevados que, na prática, irão ‘destruir’ uma parcela significativa da demanda global por petróleo”, afirmam os analistas do Macquarie. Segundo eles, o momento da reabertura da rota marítima e a magnitude dos danos reais à infraestrutura energética da região serão fatores decisivos para o impacto de longo prazo nos mercados globais.
O relatório destaca a escala sem precedentes da atual crise logística. O fechamento do Estreito de Ormuz provocou um choque de preços não apenas no petróleo bruto, mas também nos produtos refinados. Antes da escalada do conflito, cerca de 15 milhões de barris por dia de petróleo bruto e 5 milhões de barris por dia de produtos refinados transitavam por essa rota.
A conclusão do Macquarie é clara: é fisicamente impossível substituir rapidamente esses volumes por rotas alternativas ou por capacidade ociosa disponível.