A demanda das férias de verão pode desencadear uma nova fase da crise energética global
Paul Diggle, economista-chefe da gestora Aberdeen, alertou que uma nova fase da crise energética global poderá surgir no verão de 2026 caso o conflito no Irã continue a se intensificar. Em entrevista ao Financial Times, ele afirmou que o aumento sazonal da atividade de consumo no Hemisfério Norte deverá pressionar fortemente as cadeias globais de fornecimento de hidrocarbonetos em meio à instabilidade internacional.
Tradicionalmente, o período de férias provoca um salto na demanda por ar-condicionado, além de elevar o consumo de combustíveis rodoviários e de aviação. Segundo Diggle, a manutenção do fechamento do Estreito de Ormuz pode criar um desequilíbrio crítico entre oferta e demanda, levando o petróleo Brent a disparar para até US$ 180 por barril.
Antes da escalada do conflito, essa rota estratégica concentrava uma parcela significativa do fluxo global de hidrocarbonetos, e os preços chegaram a atingir cerca de US$ 120 por barril no auge das tensões recentes.
Atualmente, o Brent é negociado próximo de US$ 110 por barril, mas o risco de novas altas permanece elevado. Analistas da Capital Economics projetam que, caso ocorra uma nova escalada no Oriente Médio, o petróleo poderá revisitar máximas históricas antes do fim de 2026.
A probabilidade desse cenário adverso aumentou após um recente ataque iraniano a uma usina nuclear nos Emirados Árabes Unidos, acrescenta o relatório.