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O aumento dos lucros das empresas e a queda dos índices desafiam Wall Street

O aumento dos lucros das empresas e a queda dos índices desafiam Wall Street

O mercado de ações dos EUA entrou na temporada de resultados do primeiro trimestre de 2026 em um cenário de clara dissonância: enquanto os múltiplos de valuation estão se contraindo rapidamente, as projeções de lucros corporativos continuam a subir.

Segundo o relatório semanal “Weekly Kickstart” do Goldman Sachs, o índice S&P 500 já acumula queda de cerca de 9% desde as máximas de janeiro. Esse movimento foi impulsionado por uma combinação de choques macroeconômicos: disparada nos preços da energia, alta dos juros e aumento da instabilidade geopolítica, com a escalada do conflito no Irã.

Nesse contexto, o múltiplo preço/lucro (P/L) do índice recuou de 21x para 19x no último mês. O paradoxo é evidente: mesmo com a forte correção do mercado, os analistas elevaram suas projeções de lucro por ação (EPS) para 2026 em 3%.

Sentimento de mercado e fundamentos

Do ponto de vista técnico, há sinais de capitulação por parte dos investidores. O indicador de sentimento do Goldman Sachs para ações americanas caiu para -0,9, o nível mais baixo desde agosto de 2025. Historicamente, quando esse indicador fica abaixo de -1, tende a anteceder períodos de retornos acima da média.

Ainda assim, os estrategistas do banco alertam que condições de sobrevenda, por si só, não são suficientes para sustentar uma alta consistente. É necessária uma melhora clara nos fundamentos. Caso contrário, os níveis atuais ainda precificam o risco de novas quedas, especialmente se o conflito no Oriente Médio continuar a se intensificar.

Apesar disso, os fundamentos das empresas americanas permanecem sólidos. O Goldman Sachs mantém sua projeção de crescimento de lucros do S&P 500 em 12% para 2026, ressaltando que esse cenário depende da não prolongação dos choques macroeconômicos.

Inflação, juros e temporada de resultados

A temporada de balanços que se inicia será um teste decisivo para o otimismo de Wall Street. Os investidores buscarão sinais, nos resultados, de que as empresas conseguem manter suas margens mesmo diante do aumento dos custos de energia e das disrupções nas cadeias globais de suprimento.

Ao mesmo tempo, cresce a atenção sobre a postura do Federal Reserve. As pressões de estagflação, somadas à inflação persistente, tornam mais desafiador o caminho para cortes de juros. Em um cenário de “juros mais altos por mais tempo”, os investidores tendem a priorizar empresas de maior qualidade e com balanços mais resilientes.

Segundo o Goldman Sachs, será a qualidade das orientações (guidance) fornecidas pelas empresas nos resultados do primeiro trimestre que determinará se o S&P 500 conseguirá encontrar um fundo sólido nos níveis atuais.

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